Jornada pela Rússia

A Rússia neste momento transpira futebol, graças a Copa do Mundo que sedia em 2018. A poucos dias de iniciar os jogos, um outro lado do país é revelado através de uma novidade literária: Transiberiana: uma viagem de trem pelo mundo soviético (e por outros países que não me deixaram entrar), autoria de Zizo Asnis. A obra, publicada pelas editoras Belas Letras + O Viajante, chega às principais livrarias do país em junho. 

A União Soviética se desintegrou em 1991, mas os países que formavam o enorme bloco comunista ainda são pouco conhecidos. O gaúcho Zizo Asnis, escritor de guias de viagem, aventura-se por essa misteriosa região, começando pela Bielorrússia e seguindo por Moldávia, Ucrânia, Rússia – onde toma o lendário trem da ferrovia Transiberiana –, Mongólia e China. A narrativa dessa grande viagem pode ser conferida em Transiberiana: uma viagem de trem pelo mundo soviético (e por outros países que não me deixaram entrar), publicada pela Editora Belas Letras, em parceria comO Viajante, que chega às principais livrarias do país em junho. O livro já pode ser adquirido em pré-venda pelo site http://bit.ly/2LKt4sj.

 

Sob o aguçado olhar de viajante experiente, Zizo compartilha, com relatos em primeira pessoa, seu percurso por este “mundo soviético”, chegando, no decorrer da narrativa, a viajar na Transiberiana, onde pôde interagir com os russos e observar detalhes que, em outro meio de transporte que não o trem, certamente passariam despercebidos. Ao longo de toda a jornada, o autor relata suas percepções sobre a última ditadura da Europa (Bielorrússia), sobre o pequeno país que é o mais pobre do continente europeu (Moldávia), sobre os momentos politicamente conturbados que afetam a região desde o fim da URSS (em particular, Ucrânia), sobre a nação que é territorialmente a maior do planeta (Rússia), sobre a outra que já foi o maior império do mundo (Mongólia) e hoje vive isolada entre duas potências, sobre o país emergente que impõe uma forte censura (China).

 

Sem a pretensão de se aprofundar em história ou política, o livro é, antes de tudo, uma narrativa de viagem – gênero já consagrado em muitos países europeus desde os tempos em que se registravam as primeiras grandes explorações geográficas. Assim, os leitores – se aventurando por locais onde muitos nunca imaginaram estar – são transportados à trágica região de Chernobyl, espiam a última prisão do regime soviético, mergulham no frio da Sibéria, acompanham a angústia para cruzar algumas fronteiras, descobrem como é o sistema de vistos da Coreia do Norte, experimentam o medo e a aflição ao ser preso em uma cadeia russa, se deparam com paisagens surpreendentes, situações inusitadas e personagens tão comuns quanto excepcionais. Tudo contado com boas doses de humor, emoção, reflexão e suspense – como invariavelmente são as boas viagens.

 

TRECHOS DO LIVRO

 

CHERNOBYL:

“Entrar nesses locais é a parte mais chocante da visita. Não tem como não se comover. Diferentemente de um museu, onde se tem acesso a informações, fotos, documentos, aqui não há nada escrito, fotografado, documentado, mas há evidência de vidas – vidas vividas e bruscamente interrompidas, como raramente se pode testemunhar.”

 

SIBÉRIA:

“Criminosos comuns, ladrões de galinha e, principalmente, opositores do governo soviético eram enviados para campos de trabalho forçado, locais conhecidos como gulag (pronuncia-segulák, abreviatura do russo Administração Geral dos Campos de Trabalho Corretivos). Embora colônias prisionais na Sibéria já existissem no período czarista, foi a partir da Revolução de 1917 que o sistema foi oficializado – e radicalizado. Os gulags tiveram seu apogeu no governo de Stalin, quando os encarcerados eram formados em sua maioria por presos políticos. Ferida incômoda na história soviética, os gulags foram varridos do mapa ao final da União Soviética. Para lembrar as mazelas stalinistas, só restou um único: Perm 36, próximo a Perm – cidade que seria a minha primeira parada na Ferrovia Transiberiana.”

(…)

“Foi inevitável comparar a Auschwitz (costumo dizer que é o pior lugar do mundo que deve ser conhecido), a Dachau ou aos campos de concentração em geral. No entanto, os campos nazistas, motivados principalmente pela doentia crença da superioridade racial, tinham um único objetivo: a morte. Já os campos soviéticos, motivados por uma impiedosa ideologia política, visavam ao trabalho – embora as condições carcerárias e, principalmente, o frio siberiano levavam grande parte dos prisioneiros à morte.”

 

COREIA DO NORTE

“Trata-se de um país governado há mais de 50 anos por uma ditadura hereditária que, a fim de se perpetuar no poder, evita qualquer influência ou pressão do mundo externo. Não há oposição ao governo, não há internet, tudo é absolutamente controlado, e o povo vive numa realidade paralela, sofrendo com miséria e a falta de comida.”

(…)

“Observar o mundo irreal do país só fomenta o anedotário de turismo numa nação governada pateticamente. Não é isso que o povo norte-coreano precisa, e sim de mudanças. A comunidade internacional definitivamente tem um papel fundamental nesse processo, mas precisa agir.”

 

CAZAQUISTÃO

“E o que eu sabia do Cazaquistão? Fazia parte da União Soviética. Tinha montanhas. Tinha uns prédios modernos meio bizarros. E tinha Borat, o segundo melhor jornalista do glorioso país Cazaquistão! Enfim, um destino perfeito, ainda mais estando a poucas horas da fronteira. Só havia um possível problema: eu não tinha o visto. Não há consulado do país no Brasil, e não havia tempo hábil para solicitar em nenhum local durante esta viagem. Entretanto, eu vislumbrava duas chances: conseguir o visto na fronteira, eventualmente pagando uma taxa de ágio (e espero que ágio não seja eufemismo para propina) ou eu ser dispensado do visto. No site do Governo do Cazaquistão, informava sobre a necessidade de brasileiros portarem o visto, mas havia uma informação secundária, numa página mais escondida, que dispensava o visto de brasileiros (acho que a isenção era para diplomatas, mas não estava claro). Mesmo que aquilo tenha me parecido um erro, resolvi arriscar. E mais: constatei que argentinos não precisavam de visto para o Cazaquistão. Como assim? Por que cidadãos da Argentina não precisam e os do Brasil, sim? Considerei aquilo um ultraje diplomático que eu não iria aceitar, e assim, munido de todos os motivos do mundo, eu estava a caminho do território cazaque – sem visto.”

 

ZIZO ASNIS

Autor dos conceituados Guias O Viajante, estreia na narrativa com Transiberiana, e num dos gêneros mais instigantes: a literatura de viagem. E viagem é o que não falta na bagagem deste gaúcho, que conhece quase 90 países, incluindo toda a Europa, a América do Sul e do Norte, e boa parte da Ásia e também a África. Fundou a editora O Viajante, no ano 2000, e foi ser escritor de guias de viagem. Publicou 11 guias (que renderam 33 edições), incluindo os best-sellers Guia Criativo para O Viajante Independente na Europana América do Sul– conhecidos como a “bíblia do viajante brasileiro”. Foi também idealizador do pioneiro site de turismo O Viajante, lançado em 1999. Sua experiência o levou a colaborar com jornais, revistas, sites, programas de rádio e TV. Ministra ainda, desde 2008, o Curso Travel Writer, compartilhando suas experiências de escrita e viagem.

 

Em 2018, lançou como autor Partiu! Tudo o que você precisa saber para viajar pelo mundo, livro com dicas de viagem; como editor, Bravas Viajanteshistórias de sete mulheres que viajaram sozinhas por sete cantos do mundo, e agora, novamente como autor, Transiberiana. E ainda se mudou para Londres, sua eterna paixão urbana onde já morou algumas vezes. http://oviajante.uol.com.br

 

Transiberiana: uma viagem de trem pelo mundo soviético (e por outros países que não me deixaram entrar)

Zizo Asnis

ISBN: 9788581744339

Número de páginas: 192

Formato:13,5x21cm

Editora: Belas Letras + O Viajante

Preço de capa: R$ 39,90

Peso (em Kg): 0,500kg

 

ASSESSORIA DE IMPRENSA EDITORA BELAS LETRAS

Raphaela Donaduce Flores – Dona Flor Comunicação

raphaela@donaflorcomunicacao.com.br  

 

www.donaflorcomunicacao.com.br

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